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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Maio: Um mês com Maria - 10º Dia


O PECADO

O que é o pecado? É uma ofensa a Deus. Se desobedece aos santos desejos de Deus, e se obedece às vontades da Carne, do demônio, do mundo. O pecado nos faz calcar os Mandamentos de Deus e nos faz amar as vontades dos nossos instintos e das nossas paixões. O pecado traz desordem, desequilíbrio, ruína, no homem e nas coisas, embora o pecador se iluda em achar que o pecado é um bem. Basta pensar no primeiro pecado, aquele de Adão e Eva. Atrás da sedução de se tornar “como Deus” o pecado trouxe a ruína a toda a humanidade e a toda a criação (Gn 3).
Por que o dilúvio na terra? Por causa do pecado (Gn 6 e 7).
Por que Sodoma e Gomorra foram incineradas? Pelo pecado (Gn 1, 1-29).
Por que Tiro, Sidon, Corozain, Carfanaum e Jerusalém foram destruídas? Pelo pecado.
Por que as guerras e as devastações entre os povos?
Por que tantas famílias “são” um inferno?
Por que tem tantos homens que vão para o inferno? Pelo pecado.
Tinham razão alguns Santos em tremer só de ouvir pronunciar a palavra pecado.

O pecado mortal

O pecado é mortal, se a ofensa a Deus é grave; é venial, se a ofensa a
Deus é leve. 
A maior desgraça que pode acontecer aos homens é aquela de cometer um pecado mortal. São Pio de Pietrelcina usava exclamar “desgraçado”, a quem se acusava de uma culpa mortal. Nenhuma desgraça é comparável ao pecado mortal. Antes, seria preferível qualquer outra desgraça. Escreveu São Cipriano: “observa os danos que causa a saraiva às sementeiras, a pestilência aos armentos e aos homens, o vento aos navios... Eles não são mais que uma lânguida figura dos danos que o pecado traz à nossa alma: ele destrói todos os frutos das boas obras, corrompe todas as nossas faculdades e guia o homem à morte certa”. Por isso, fazia muito bem o pequeno e corajoso São Domingos Sávio, a sustentar a sua linda máxima: “A morte, mas não o pecado”. A morte, de fato, é só uma coisa física que reduz o corpo do homem em cadáver. O pecado, ao contrário, é um fato espiritual que reduz a alma do homem a um cadáver, enquanto este não recuperar a graça do Sacramento da Confissão. Um cristão com a alma de cadáver: eis a monstruosidade do pecado mortal.

É assustador...

Para melhor compreender a monstruosidade do pecado mortal, é necessário olhar o calvário. O pecado do mundo fez de Jesus “o homem das dores” (Is 53,3), custou a morte de Jesus (1 Pd 1,19; Ap 5,9), “transpassou a alma”de Nossa Senhora (Lc 2,35). E quem comete novamente pecado mortal “crucifica de novo o filho de Deus no próprio coração” (Hb 6,6). Por isso, o pecado mortal faz perder a alma, a vida sobrenatural, ou seja, a graça divina, lhe faz perder os méritos e as virtudes infusas, deixando-lhe só a fé e a esperança; enfim, lhe rouba a semelhança com Jesus lhe imprime a imagem do demônio. É horrível! Tinha razão Santa Tereza de Ávila em dizer lhe que a visão de uma alma em pecado mortal a assustou ao ponto de suplicar a Deus e de intorrompê-la. Mas quantos são os cristãos em pecado mortal, que se dão conta de possuir uma alma cadáver e de se parecer com o demônio? E como podem crer de amar a Deus, de amar Maria, se com o pecado se demonstram “odiadores de Deus” (Rm 1,30) e “transpassam a alma” de Nossa Senhora? (Lc 2,35).

O pecado venial

Não se pode deixar-se enganar. O pecado venial ofende a Deus e arruína o homem, embora não provoque os efeitos desastrosos do pecado mortal. São Tomás de Aquino nos avisa: “preferível, acima de tudo, antes de morrer que cometer um só pecado venial ”. Os santos advertem a brutalidade do pecado venial segundo a medida do amor ardente de Deus. Por isso, dizia São João Crisóstomo, estamos prontos a temer mais uma ofensa leve a Deus, que o próprio inferno. De fato, Santa Catarina de Sena dizia de si: “queria estar antes no inferno sem pecado, que achar-me no céu manchada de coisa levíssima que magoe o Senhor”... Como faremos nós se nos manchamos todos os dias de culpas veniais com tanta superficialidade? Sabemos tomar cuidado para evitar qualquer mal estar físico (até um resfriado) e, no entanto não nos curamos das doenças espirituais (impaciências, mentiras, negligências) que ofende a Deus e deformam a alma. Um dia, Santa Francisca de Chantal quis colocar com as suas mãos o cadáver de um leproso no caixão. Alguém tentou impedí-la, com medo do contágio da lepra. Mas a santa disse com decisão: “não temo outra lepra que o pecado!” Aprendamos.

A pequena Jacinta

A menor dos três pastorzinhos de Fátima, Jacinta, foi mais ardente vitima pelos pecadores. Ficou sendo para ela uma paixão: salvar os pecadores do inferno, oferecendo sacrifício de toda espécie. E andava atenta a sacrificar-se com empenho sempre novo. Encontrava pelas ruas os pobres e lhes dava a sua merenda, ficando de jejum até a noite; tinha uma sede ardente no mês de Agosto, e renunciava em beber a todos os custos; o irmão Francisco recolhia bolotas mais doces de uma arvore e lhe pedia as mais amargas para oferecer um sacrifício; tinha dor de cabeça e o barulho das rãs a incomodava, mais ela impedia ao irmão de afugentá-las, para oferecer mais um sacrifício. Devemos aprender desta menina a escutar os pedidos de Nossa Senhora sobre a necessidade de salvar os pecadores do inferno, colaborando na conversão deles, com a oração e a penitencia.

Votos:

- Beijar o chão pela conversão dos pecadores
- Repetir com freqüência a máxima de São Domingos: “antes morrer que pecar”
- Todas as noites dizer um ato de dor pelo perdão dos pecados.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Maio: Um mês com Maria - 9º Dia



A VIDA NA GRAÇA

Nossa Senhora foi chamada pelo Anjo Gabriel “plena de graça” (Lc 1,28). E nós sabemos que “plena de graça” quer dizer plena de Deus.
Também dizemos de nós mesmo: estou em graça de Deus ou estou sem a graça de Deus. Ou seja: tenho Deus na alma ou tenho Satanás: “Quem não está comigo, está contra mim” (Mt 12,30).
O que é a graça, então?
É a vida divina da alma. Quando uma alma está em graça de Deus “participa da natureza divina” (2 Pd 1,4). Não se torna Deus, mas é unida, é cheia, é imensa em Deus: como uma esponja imersa na água e fica cheia de água.
Já estes poucos pensamentos podem chegar a nos fazer entender a preciosidade sem fim que possui a alma do cristão em graças de Deus.
Tinha certamente razão o Papa São Leão Magno de exclamar: “Reconhece, ó cristão, a tua dignidade; e, participando da natureza divina, livre-te de destruir, com atos indignos, a tua grandeza”

A alma... e o cão

Um dia o Santo Cura d’Ars passava, como sempre, entre duas filas de gente, para ir à Igreja. Improvisadamente, parou perto de um caçador que tinha a espingarda pendurada no pescoço, e ao lado o seu lindo cão de caça.
O santo se inclinou a acariciar o cão, dizendo: “Que magnífica cão!”.
Depois fixou por alguns instantes o caçador dizendo: “Senhor, seria desejável que a sua alma fosse bela como o seu cão!”.
Mas como se perde a graça de Deus?
Se perde com o pecado mortal. A alma na graça de Deus é semelhante a uma lâmpada elétrica acesa. Com o pecado mortal a alma se torna semelhante a uma lâmpada queimada. Não dá mais luz, não serve para mais nada.
Mas a graça de Deus se pode recuperar, enquanto se é vivo, com o arrependimento e com a Confissão sacramental. E é nosso interesse não demorar a recuperá-la; porque cada momento vivido em pecado mortal é um momento de ser “filhos das trevas” (1 Ts 5,5) ao invés de ser “filhos da luz” (Ef 5,8)
Compreendem tudo isso os cristãos? Ou talvez muitos nem se preocupam quase nada de encontrar-se em desgraça de Deus, e continuam a viver entre um pecado mortal e outro?

Humanidade sem graça

Infelizmente, nos basta somente dar um olhar sobre a humanidade, para saber se a maior parte vive na graça de Deus, devemos realisticamente admitir que o “rei das trevas” (Lc 22,53) e o príncipe deste mundo (Jo 12,31) acaba com a vida de graça dos homens.

Hoje o pecado mortal não é somente um fato singular, mas é um fenômeno de massa, de costume dos povos.
Hoje é costume, em escala mundial, ler imprensa pornográfica, ver filmes bestiais, freqüentar praias e lugares escandalosos, seguir as modas indecentes, usar a pílula e os métodos anticoncepcionais, ter ralações extraconjugais, e pré-matrimoniais, divorciar, abortar, renegar a fé, professar o ateísmo, falara blasfêmias..., sem falar das subversões, violências e furtos sempre mais colossais.
Pobre mundo! Talvez nunca com tanta evidencia se tenha achado “tão sob o maligno” (1 Jo 5,19). E “Jesus Cristo sacrificou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos arrancar deste mundo perverso...” (Gl 1,2).

A Mãe da Graça

Nós cristãos devemos ficar santamente orgulhosos de ser filhos de Deus e de Maria, irmãos de Jesus Cristo, templos do Espírito Santo, herdeiros do Paraíso. É verdade que Jesus veio para que os homens “tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).
E todas estas divinas riquezas nos são dadas com o Santo Batismo (que por isso, é bom administrar o mais cedo possível ao recém nascido).
Santo Inácio Mártir, se chamava a si mesmo, com orgulho Teóforo, ou seja, portador de Deus. E todos os Santos “glorificaram e levaram Deus no próprio corpo” (1 Cor 6,20) cultivando a vida da graça com imenso cuidado.
Mas quem é a Mãe da Divina Graça?
O sabemos: é Nossa Senhora. É Ela que nos gera à vida divina. São Leão afirma que casa fonte batismal é o seio virginal de Maria! Dela vem até nós a graça da regeneração, que é indispensável a quem pecou mortamente e que transformou tantos pecadores em Santos.
Lembremos, por exemplo, São João de Deus, jovem solteiro, que passava de um trabalho a outro, se nunca tomar juízo. Nossa Senhora o livrou milagrosamente de um grave perigo, aparecendo-lhe e chamando-o a conversão: “um dia tu me amavas – lhe disse – torna a me amar e a me ter devoção. Converte-te a Deus”. O jovem fez isso seriamente e se santificou. Vamos nós também fazer isso seriamente? Para fazê-lo seriamente, rompamos energicamente com os nossos pecados. Como é possível que nos deixemos seduzir por um mundo em que tudo é concupiscência? (1 Jo 2, 15-17).
A experiência de todos os convertidos confirma plenamente esta triste realidade do mundo sem a graça, todo engano e pecado. Sobretudo, os grandes convertidos nos asseguram que a vida não tem sentido, se não é vivida para Deus e para a eternidade.
Lembremos a experiência de uma grande artista, Maria Fenoglio (cujo nome artístico era Eva Lavalliere), que decidiu se suicidar justamente quando tinha chegado ao ápice da glória e da fama mundana.
Foi salva a tempo, por misericórdia de Deus, e foi iluminada pela graça. Então, compreendeu, finalmente, quais são os verdadeiros valores da vida. Renegou a sua vida mundana, abandonou o teatro, e iniciou uma vida de sacrifício sempre mais rica de graças e de virtudes. Escrevia no seu diário: “O meu ideal?” ... Jesus. A minha ocupação preferida? ... A oração. O meu esporte preferido?... estar ajoelhada. O meu perfume mais caro?... o incenso. A minha jóia mais preciosa? ... O Rosário.

Votos:

- Fazer um ato de grande arrependimento por todas as vezes que perdemos a graça de Deus;
- repetir amiúde a invocação: “Mãe da Divina graça, rogai por nós”;
- empenhar-se em evitar toda ocasião perigosa que possa fazer-lhe perder a Graça de Deus.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Maio: Um mês com Maria - 8º Dia

O Paraiso

Aquilo que o olho nunca viu, nem ouvido escutou, nem nunca coração do homem pôde saborear, isto Deus preparou aos que O amam". (I Cor 2,9). O Paraíso é um realidade inimaginável; é a plenitude de todos os bens desejáveis; é o êxtase eterno na visão beatífica de Deus. Santa Catarina de Siena conta de ter sido uma vez raptada à glória dos Céus. Quando, acabado o êxtase, tentou falar; não conseguiu fazer mais nada além de chorar. A quem se maravilhava, a Santa dizia: "Não vos admireis por isso; admirai-vos que ainda estou sobre a Terra depois de ter gozado de tamanhas delícias." Igualmente, São Roberto Belarmino, pensando na felicidade suprema do Paraíso, quando um dia admirava um quadro que retratava os jesuítas, exclamou: "Quero ir ter logo com ele! Embora desta vida! Desejo voar lá com estes."



Vinde, benditos! "Acreditem - dizia São Felipe Néri - o Paraíso não foi feito para os preguiçosos!" Para o Paraíso vão os heróis do amor a Deus e aos irmãos. "O Reino dos Céus exige violência e só os vilentos o conquistam" (Mt 11,12). Só o cristão que é um herói de bondade, de fé, de humildade, de pureza, de obediência, de paciência, de mortificação, pode esperar de sentir-se dizer ao fim do exílio terreno: "Vem, servo bom e fiel: entra na alegria do Teu Senhor." (Mt 25,21). Nos "Atos dos Mártires" está descrito o martírio de São Timóteo. o Santo Mártir, cheio de chagas e torturado na cal viva, ouviu os Anjos que o confortavam: "levanta a cabeça e pensa no Céu que te espera!" Infelizmente para nós é tão fácil nos deixar atrair e dominar pelos bens terrenos... Deixamo-nos seduzir pelas criaturas e pelos prazeres carnais. Por isso devemos lembrar com maior insistência a chamada de São Paulo: "Procurai as coisas lá de cima! Provai as coisas do alto! Não aquelas da terra." (Cl 3,1). Se fizermos como nos diz São Paulo, experimentaremos também a verdade desta frase de Santo Inácio: "Oh, quanto me parece pequena e insignificante a Terra quando contemplo o Céu!" E nos preocuparemos de convencer também outros irmãos a elevar o olhar das criaturas para elevá-lo ao Criador. Seria uma loucura imperdoável perder os bens Celestes e eternos pelos pobres prazeres terrenos e momentâneos. Este mundo para nós é só uma Terra de exílio, de onde devemos conseguir chegar à nossa verdadeira pátria. Basta refletir um pouco sobre esta verdade para compreender melhor uma outra triste realidade desta Terra: o aborto. Com este enorme crime não somente é tirada a vida a uma criança, mas lhe é negada a entrada do Paraíso. Aquela criança irá ao limbo eterno, como nos ensina a Igreja, porque privada do Batismo, sem o qual não se pode entrar no Paraíso: "Quem for batizado, será salvo" (Mc 16,16). "Quem não renasce da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino dos Céus" (Jo 3,5).


Ao céu... ao céu com ela 


A canção popular "Irei vê-la um dia" nos leva a desejar o Paraíso para ver Maria e ficar para sempre com Ela! Santa Bernadete confidenciou que Maria é tão linda que fazia desejar a morte para revê-la. São Maximiliano recebeu os votos de uma rápida morte para logo ir ter com a Imaculada no Céu. E o Santo respondeu agradecendo sentidamente. São Leonardo de Porto Maurício, Apóstolo ardente, chegava a pregar pedindo aos fiéis orações para poder logo morrer e ir ter com a Imaculada. Ele dizia: "Eu desejo morrer para viver com Maria. Recitem 1 Ave-Maria para que eu obtenha a graça de morrer agora e ir ver Maria!" Quando se ama verdadeiramente Maria, o pensamento e a aspiração do Paraíso não dão trégua, porque é lá que Nossa Senhora nos espera propriamente como uma Mãe que espera a chegada dos filhos para tê-los ao redor, na alegria eterna. 


Paraíso e Penitência 

Não se chega ao Paraíso senão pela 'porta estreita' (Mt 7,14), ou seja, através da penitência. Quando se pedia a São Maximilano de moderar um pouco seu heróico e cansativo apostolado pela Imaculada, ele respondia: "Não é necessário descansar. Descansarei no Céu!" Igualmente quando se exortava São José Calasanz a renunciar a alguma das suas penitências, ele respondia: "Oh, Paraíso! Que força e coragem comunicas a quem em ti quer entrar!" Quando pediam para aliviar-se um pouco, respondia: "Se pode ir ao Paraíso até sem os passeios. O nosso descanso será o Paraíso". Descobriram que usava no corpo um cilício e pergutaram se lhe doía: "é lógico que dói um pouco, mas para ir ao Paraíso, precisa fazer Penitência".


Precisamos de Nossa Senhora 



Uma coisa, porém, nos deve consolar: se é verdade que no Paraíso não se vai sem penitência, é verdade também que para ir através de um caminho mais seguro e mais fácil, tende ir com Maria. Veja um episódio: Um Bispo foi ao Pe. Pio e lhe levou um amigo que não era um santinho. Apresentou-lhe, dizendo: "Padre, este amigo gostaria de assegurar-se com um bilhete de ingresso ao Céu. A coisa não é fácil. O que aconselharia, Padre?" Abaixou e abanou a cabeça, e respondeu docemente: "É... precisamos de Nossa Senhora!" Também a São Bernardo aconteceu uma vez que foi se confessar um grande pecador, já presa do desespero porque estava devastado por terríveis pecados. O santo lhe falou da divina misericórdia e lhe abriu o Evangelho que refere a Anunciação, no versículo 30: "Não temas, Maria, porque achaste Graça diante de Deus". (Lc 1) e comentou que Maria achou graça para nós, pecadores. Aquele pobre pecador se reanimou, e logo apos a Confissão foi junto ao altar de Maria e lá achou a perfeita paz. Se amarmos muito Maria, Ela nos doará de dia em dia as graças necessárias para viver de modo digno do cristão, preparando-nos ao Paraíso na separação progressiva desta Terra, até fazer-nos exclamar com São José Cotolengo: "Feia terra, Belo Paraíso!" É necessário, porém, que amemos Maria, empenhando-nos em fazer bem os nossos deveres de cada dia. Santa Bernadete teve pela Imaculada a certeza do Paraíso, e mesmo assim comprtava-se com a máxima perfeição, porque não queria ir ao Céu sem ter sido bem comportada. Lembraram-na, uma vez, da garantia de Nossa Senhora, mas ela respondeu: "Sim, mas sob a condição de que eu faça o necessário pra merecer!" Esforcemo-nos de viver com os olhos sempre fixos no Paraíso, com as mãos em ação para fazer sempre todos os nossos deveres, com o coração cheio de amor e confiança na nossa doce Mãe que nos quer a todos no Paraíso.

Votos 

- Fazer alguns sacrifícios pelo Paraiso;
- recitar os mistérios gloriosos do Rosário;
- fazer esmola a um pobre.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Maio: Um mês com Maria - 7º Dia

O Purgatório

Se se morresse na Graça de Deus, mas se têm dívidas de expiação pelos pecados cometidos e defeitos ainda dos quais se livrar para entrar puros no Paraíso, se vai para o Purgatório a fim de livrar-se destas dívidas e defeitos. Por isso existe o Purgatório. É um reino temporal além tumba. Todos os que morrem na amizade com Deus, mas não são puros e dignos do Paraíso, vão àquele lugar de dolorosa purificação por todo o tempo necessário para purificar-se. Por isso se fazem as funções e se reza pelos defuntos que se acham no Purgatório a fim de que seja apressada a passagem deles daquele lugar de pena ao Reino do Eterno Paraíso.

É verdade

A Sagrada Escritura nos fala, desde as primeiras páginas, do uso dos hebreus de rezar pelos mortos. Este uso exprime necessariamente a existência ds almas defuntas em um lugar que não seja o Inferno nem o Paraíso, porque os danados nem os Bem-aventurados precisam das nossas orações. Mais expressamente ainda a Bíblia nos fala dos sacrifícios pelos defuntos que os hebreus celebravam no Templo. À Morte de Aarão, foram oferecidos sacrifícios por 30 dias seguidos (DT 34,8 / Nm 20,30). Judas Macabeus, depois das sanguinárias batalhas, recolhia somas de dinheiro para mandar a Jerusalém para oferecer sacrifícios pelas almas dos soldados caídos na guerra. "É coisa salutar rezar pelos mortos a fim de que lhes sejam pordoados os pecados" (Mac 12,46). Também o profeta Malaquias nos fala do Senhor que purifica com o fogo a amados filhos de Levi (Ml 3,3). No Novo Testamento, Jesus refere-se mais vezes ao Purgatório. A mais clara referência é sobre a necessidade de fechar cada conta com o nosso inimigo antes de cair nas mãos do Juiz que nos porá em uma prisão de onde não sairemos antes de ter saldado a dívida "até o último centavo". (Mt 5, 25-26). Esta prisão não pode, é claro, ser o Inferno, de onde não se sai nunca, mas o Purgatório, como o interpretam os Santos Padres. São Paulo continua o ensinamento de Jesus dizendo que quem faz obras imperfeitas se salvará, mas passando pelo fogo. Depois de São Paulo, podemos citar os grandes Padres e Doutores da Igreja: Santo Agostinho, São João Crisóstomo, Santo Efrém, São Cipriano, Santo Tomás de Aquino... O magistério da Igreja apresentou a verdade do Purgatório como dogma de fé!

Se sofre terrivelmente 

No Purgatório se sofre as penas da purificação segundo a necessidade de cada um. Tem quem tem mais dívidas e defeitos que outros. A intensidade e duração são sob medida. Mas a qualidade do sofrimento é terrível. Pena de sentido e pena de dano constituem um sofrimento tal que na Terra não se pode pensar igual. Santo Tomás ensina: "A menor pena do Purgatório supera as maiores penas da Terra, pois o mesmo fogo que atormenta os danados do Inferno, atormenta os justos do Purgatório". Lá entenderemos qual coisa tremenda é a ofensa a Deus e qual reparação exige a Sua Justiça. Por isso os santos estavam tão atentos em descontar na Terra com a mínima falta, até nas palavras ociosas (Mt 12,36). Santa Mônica, no leito de morte, disse àqueles que circundavam seu leito: "Rogai por mim. Não tomais conta do meu corpo, somente da minha alma!"

Não lágrimas, mas Santas Missas

Os defuntos não precisam das nossas lágrimas, mas das nossas Santas Missas. Nem precisam de coroas de flores e procissões para o funeral. Quanta bobagem em certos cristãos! Preocupam-se e gastam sem economia para a solenidade externa do funeral e não se curam ou não querem gastar dinheiro para mandar celebrar uma Santa Missa! Se pudéssemos ver os sofrimentos das almas purgantes, com qual cuidado as ajudaríamos, fazendo antes de mais nada, celebrar as Santas Missas, fazendo a Comunhão, recitando Rosários, praticando penitências. Uma noite, São Nicolau de Tolentino viu a alma de um frade defunto, frade Pelegrino de Ósimo que lhe pediu para celebrar logo uma Santa Missa por ele e pelas almas purgantes. Mas o Santo respondeu que não podia porque tinha que celebrar a Santa Missa do turno. Então o defunto conduziu-o ao Purgatório. À vista das penas terríveis que sofrem aquelas almas, São Nicolau se assustou e foi logo ao Superior e o rogou de fazer-lhe celebrar Santas Missas pelo frade Pelegrino e pelas almas. Obtida a licença, a celebração das Santas Missas foi a função mais poderosa e salutar para aquelas queridas almas. Também ao Pe. Pio pediu um frade uma lembrança ao Pai defunto, durante a Missa. Pe. Pio quis aplicar a Santa Missa pela alma do pai daquele irmão e lhe disse: "Esta manhã teu pai entrou no Paraíso"! O irmão ficou admirado e feliz, mas não pôde deixar de exclamar: "Mas meu pai morreu há 30 anos!" "É, meu filho, na frente de Deus tudo se paga!" Respondeu em tom grave Pe. Pio.

Maria livra do Purgatório

São Bernardino chamou Nossa Senhora 'Plenipotenciária' do Purgatório, pois em suas mãos há poderes e graças para livrar quem quiser do Purgatório. Ser devoto de Maria e a Ela recorrer para obter o alívio e a libertação das almas purgantes: é isto o que devemos fazer com todo o coração se quisermos oferecer eficazes orações e Santas Missas.Maria mesma revelou ao Beato Alano: "Eu sou a Mãe das almas do Purgatório e a cada hora, pelas minhas orações, são aliviadas as penas dos meus devotos." O Santo Rosário é de especial eficácia. Santo Afonso Maria de Ligório ensina que "se queremos ajudar as almas do purgatório recitamos por elas o Rosário que lhes arrecada grande alívio." Um santo consolou muitas almas purgantes com o Santo Rosário. São Pompílio Pirrotti teve o dom de recitar o Rosário com as almas do Purgatório, que respondiam em voz alta as Aves-Marias, mostrando-se serenas e felizes durante a oração. Que também ns nossas mãos o Rosário seja uma coroa de caridade pelas queridas almas do Purgatório.

Votos

Oferecer o dia inteiro pelas almas do Purgatório;
santa Missa e comunhão pelas almas sofredoras;
um Rosário pelas almas purgantes mais pecadoras.

Maio: Um mês com Maria - 6º Dia

O Inferno

Quando perguntaram a São Jerônimo porque se retirou para uma gruta de Belém e viver como um eremita penitente, ele respondeu: "Me condenei a esta prisão porque temo o inferno!" Um gigante de doutrina e santidade como ele temia o inferno. Nós, sem doutrina e santidade, nem nos preocupamos, nem queremos pensar no Inferno! E assim demonstramos o que somos: pobres inconscientes! São Paulo, raptado ao 3º Céu, carregado de méritos, temia de poder danar-se (cf I Cor 9,27). Nós, com uma superficiliadade que amedronta, cremos evitar o inferno sem méritos nem temores. Aliás, chegamos até a recomendar de não se falar nunca do Inferno, porque "impressiona", não nos importando o fato que Jesus, no Evangelho, falou do Inferno não só uma vez, mas 18 vezes! Como sempre, covardes que somos, gostamos muito de discursos alegres e doces, de Cristianismo fácil, efeitos de falsos aleluias e hosanas.

Fora daqui, malditos!

Esta é a terrificante condenação dos que morrem em pecado mortal. "Estes irão ao eterno suplício" (Mt25,46). "Irão", ou seja, só vai ao inferno quem quiser ir! Deus nos cria a todos para o Paraíso e nos dá os meios para lá chegar, mas nos deixa livres para aceitar ou não. O homem que recusa, então, sabe perder o Paraíso e escolher o Inferno. Ele quer isso livremente. Nem se pode não dar razão a Deus, porque respeita a liberdade do homem. Mas qual loucura renunciar a Deus, perder o Paraíso, cair naquele abismo de horrores que é a moradia dos demônios. A visão de Deus, a união a Jesus e a Nossa Senhora, a companhia dos Anjos e dos Santos... A perda destes bens infinitos constitui a pena de dano dos danados, ou seja, a pena mais horrível e pavorosa que possamos conceber. Pelo resto, se é verdade que com o pecado mortal crucificamos Jesus em seu próprio coração (Hb ,) de qual suplício "não será digno aquele que terá pisado o Filho de Deus"? (Hb 10,20).

No fogo eterno

No Inferno existe também a pena do sentido, ou seja, o fogo eterno (Mt 18,7) "que põe aos danados como vítimas dos tormentos... de um fogo ardente" (Lc 16, 23/24). A Geena é a figura mais expressiva que Jesus usou para figurar o inferno. A Geena é um profundo vale sobre um dos lados de Jerusalém. Nessa se jogavam toda as sujeiras da cidade e eram queimadas em um fogo perene. O Inferno é um depósito de lixo do Céu e da Terra: nesse se recolhem todos os anjos rebeldes e todos os homens imundos, perversos e corrompidos, mortos em pecado mortal. Todos queimarão com "fogo inextinguível" (Mc 9,44), odiosos a Deus pela eternidade. Na verdade, é "coisa tremenda cair nas mãos de Deus". (Hb 10,31). Mas não se poderá talvez dizer que seja proporcional a pena eterna para as culpas do homem? Não, porque como a recompensa está ao mérito, assim a pena está à culpa (Santo Tomás de Aquino). Às boas ações corresponde o Paraíso eterno; às más ações (pecados mortais) correspondem o Inferno eterno. O rico homem que durante a vida tinha pensado somente nos "suntuosos banquetes", nos quais pensava só em se divertir, e o pobre Lázaro, que tinha suportado em paz as próprias desventuras, deixando que até os cachorros lhe "lambêssem as feridas", nos fazem compreender muito bem a diversa sorte eterna que tocará aos homens maus e bons (Lc 16,19-31).

Muitos se perdem

Em Fátima, a Imaculada mostrou o Inferno aos 3 pastores. E Lúcia descreveu aquela visão como melhor podia com estas palavras: "Vimos como em um mar de fogo, emergidos os demônios e as almas, quase como carvões transparentes e pretos, queimados em forma humana, flutuando no incêncio alçado de fumos e cadentes de cada lado, como faísca de grandes incêndios. Sem peso, nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que aterrorizavam e faziam desmaiar de medo...". "Viram - disse Nossa Senhora - o Inferno onde vão as almas dos pobres pecadores? Para os salvar, o Senhor quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado". Reflitamos seriamente sobre estas palavras de Nossa Senhora e liguemo-nos fortemente ao seu Coração Imaculado e tenhamos bem radicados em nós o empenho de viver sempre na graça de Deus, prontos em tudo sofrer para não cometer pecado mortal: "Não temais os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma. Temais, pois, aquele que pode fazer perder a alma e o corpo na Geena." (Mt 10,28). Se os homens pensassem seriamente nestas plavras de Jesus, quem seria condenado?

Como morre um danado?

São Clemente Hofbauer, apóstolo de Viena, foi visitar um moribundo não crente e foi recebido com insultos: "Vai para o diabo, frade! Vais embora!". "Antes quero ver como morre um danado!" disse o frade. Com estas palavras o moribundo pôs-se a pensar e ficou mudo. São Clemente invoca Maria com ardor. Logo depois o moribundo chora e exclama: "Padre, perdoai-me. Aproximai-vos!". Confessa-se em lágrimas e morre invocando Maria, refúgio dos pecadores. "A misericórdia de Maria salva um grande número de infelizes que, segundo as leis da divina Justiça, iriam ser danados". Cofiemos n'Ela, então, com toda a confiança.

Votos

Repetir amiúde: "Minha mãe, confiança minha";
oferecer o dia pelos pecadores moribundos;
ler e meditar a parábola do rico Epulão e do pobre Lázaro (Lc 16, 19-31).