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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Maio: Um mês com Maria - 7º Dia

O Purgatório

Se se morresse na Graça de Deus, mas se têm dívidas de expiação pelos pecados cometidos e defeitos ainda dos quais se livrar para entrar puros no Paraíso, se vai para o Purgatório a fim de livrar-se destas dívidas e defeitos. Por isso existe o Purgatório. É um reino temporal além tumba. Todos os que morrem na amizade com Deus, mas não são puros e dignos do Paraíso, vão àquele lugar de dolorosa purificação por todo o tempo necessário para purificar-se. Por isso se fazem as funções e se reza pelos defuntos que se acham no Purgatório a fim de que seja apressada a passagem deles daquele lugar de pena ao Reino do Eterno Paraíso.

É verdade

A Sagrada Escritura nos fala, desde as primeiras páginas, do uso dos hebreus de rezar pelos mortos. Este uso exprime necessariamente a existência ds almas defuntas em um lugar que não seja o Inferno nem o Paraíso, porque os danados nem os Bem-aventurados precisam das nossas orações. Mais expressamente ainda a Bíblia nos fala dos sacrifícios pelos defuntos que os hebreus celebravam no Templo. À Morte de Aarão, foram oferecidos sacrifícios por 30 dias seguidos (DT 34,8 / Nm 20,30). Judas Macabeus, depois das sanguinárias batalhas, recolhia somas de dinheiro para mandar a Jerusalém para oferecer sacrifícios pelas almas dos soldados caídos na guerra. "É coisa salutar rezar pelos mortos a fim de que lhes sejam pordoados os pecados" (Mac 12,46). Também o profeta Malaquias nos fala do Senhor que purifica com o fogo a amados filhos de Levi (Ml 3,3). No Novo Testamento, Jesus refere-se mais vezes ao Purgatório. A mais clara referência é sobre a necessidade de fechar cada conta com o nosso inimigo antes de cair nas mãos do Juiz que nos porá em uma prisão de onde não sairemos antes de ter saldado a dívida "até o último centavo". (Mt 5, 25-26). Esta prisão não pode, é claro, ser o Inferno, de onde não se sai nunca, mas o Purgatório, como o interpretam os Santos Padres. São Paulo continua o ensinamento de Jesus dizendo que quem faz obras imperfeitas se salvará, mas passando pelo fogo. Depois de São Paulo, podemos citar os grandes Padres e Doutores da Igreja: Santo Agostinho, São João Crisóstomo, Santo Efrém, São Cipriano, Santo Tomás de Aquino... O magistério da Igreja apresentou a verdade do Purgatório como dogma de fé!

Se sofre terrivelmente 

No Purgatório se sofre as penas da purificação segundo a necessidade de cada um. Tem quem tem mais dívidas e defeitos que outros. A intensidade e duração são sob medida. Mas a qualidade do sofrimento é terrível. Pena de sentido e pena de dano constituem um sofrimento tal que na Terra não se pode pensar igual. Santo Tomás ensina: "A menor pena do Purgatório supera as maiores penas da Terra, pois o mesmo fogo que atormenta os danados do Inferno, atormenta os justos do Purgatório". Lá entenderemos qual coisa tremenda é a ofensa a Deus e qual reparação exige a Sua Justiça. Por isso os santos estavam tão atentos em descontar na Terra com a mínima falta, até nas palavras ociosas (Mt 12,36). Santa Mônica, no leito de morte, disse àqueles que circundavam seu leito: "Rogai por mim. Não tomais conta do meu corpo, somente da minha alma!"

Não lágrimas, mas Santas Missas

Os defuntos não precisam das nossas lágrimas, mas das nossas Santas Missas. Nem precisam de coroas de flores e procissões para o funeral. Quanta bobagem em certos cristãos! Preocupam-se e gastam sem economia para a solenidade externa do funeral e não se curam ou não querem gastar dinheiro para mandar celebrar uma Santa Missa! Se pudéssemos ver os sofrimentos das almas purgantes, com qual cuidado as ajudaríamos, fazendo antes de mais nada, celebrar as Santas Missas, fazendo a Comunhão, recitando Rosários, praticando penitências. Uma noite, São Nicolau de Tolentino viu a alma de um frade defunto, frade Pelegrino de Ósimo que lhe pediu para celebrar logo uma Santa Missa por ele e pelas almas purgantes. Mas o Santo respondeu que não podia porque tinha que celebrar a Santa Missa do turno. Então o defunto conduziu-o ao Purgatório. À vista das penas terríveis que sofrem aquelas almas, São Nicolau se assustou e foi logo ao Superior e o rogou de fazer-lhe celebrar Santas Missas pelo frade Pelegrino e pelas almas. Obtida a licença, a celebração das Santas Missas foi a função mais poderosa e salutar para aquelas queridas almas. Também ao Pe. Pio pediu um frade uma lembrança ao Pai defunto, durante a Missa. Pe. Pio quis aplicar a Santa Missa pela alma do pai daquele irmão e lhe disse: "Esta manhã teu pai entrou no Paraíso"! O irmão ficou admirado e feliz, mas não pôde deixar de exclamar: "Mas meu pai morreu há 30 anos!" "É, meu filho, na frente de Deus tudo se paga!" Respondeu em tom grave Pe. Pio.

Maria livra do Purgatório

São Bernardino chamou Nossa Senhora 'Plenipotenciária' do Purgatório, pois em suas mãos há poderes e graças para livrar quem quiser do Purgatório. Ser devoto de Maria e a Ela recorrer para obter o alívio e a libertação das almas purgantes: é isto o que devemos fazer com todo o coração se quisermos oferecer eficazes orações e Santas Missas.Maria mesma revelou ao Beato Alano: "Eu sou a Mãe das almas do Purgatório e a cada hora, pelas minhas orações, são aliviadas as penas dos meus devotos." O Santo Rosário é de especial eficácia. Santo Afonso Maria de Ligório ensina que "se queremos ajudar as almas do purgatório recitamos por elas o Rosário que lhes arrecada grande alívio." Um santo consolou muitas almas purgantes com o Santo Rosário. São Pompílio Pirrotti teve o dom de recitar o Rosário com as almas do Purgatório, que respondiam em voz alta as Aves-Marias, mostrando-se serenas e felizes durante a oração. Que também ns nossas mãos o Rosário seja uma coroa de caridade pelas queridas almas do Purgatório.

Votos

Oferecer o dia inteiro pelas almas do Purgatório;
santa Missa e comunhão pelas almas sofredoras;
um Rosário pelas almas purgantes mais pecadoras.

Maio: Um mês com Maria - 6º Dia

O Inferno

Quando perguntaram a São Jerônimo porque se retirou para uma gruta de Belém e viver como um eremita penitente, ele respondeu: "Me condenei a esta prisão porque temo o inferno!" Um gigante de doutrina e santidade como ele temia o inferno. Nós, sem doutrina e santidade, nem nos preocupamos, nem queremos pensar no Inferno! E assim demonstramos o que somos: pobres inconscientes! São Paulo, raptado ao 3º Céu, carregado de méritos, temia de poder danar-se (cf I Cor 9,27). Nós, com uma superficiliadade que amedronta, cremos evitar o inferno sem méritos nem temores. Aliás, chegamos até a recomendar de não se falar nunca do Inferno, porque "impressiona", não nos importando o fato que Jesus, no Evangelho, falou do Inferno não só uma vez, mas 18 vezes! Como sempre, covardes que somos, gostamos muito de discursos alegres e doces, de Cristianismo fácil, efeitos de falsos aleluias e hosanas.

Fora daqui, malditos!

Esta é a terrificante condenação dos que morrem em pecado mortal. "Estes irão ao eterno suplício" (Mt25,46). "Irão", ou seja, só vai ao inferno quem quiser ir! Deus nos cria a todos para o Paraíso e nos dá os meios para lá chegar, mas nos deixa livres para aceitar ou não. O homem que recusa, então, sabe perder o Paraíso e escolher o Inferno. Ele quer isso livremente. Nem se pode não dar razão a Deus, porque respeita a liberdade do homem. Mas qual loucura renunciar a Deus, perder o Paraíso, cair naquele abismo de horrores que é a moradia dos demônios. A visão de Deus, a união a Jesus e a Nossa Senhora, a companhia dos Anjos e dos Santos... A perda destes bens infinitos constitui a pena de dano dos danados, ou seja, a pena mais horrível e pavorosa que possamos conceber. Pelo resto, se é verdade que com o pecado mortal crucificamos Jesus em seu próprio coração (Hb ,) de qual suplício "não será digno aquele que terá pisado o Filho de Deus"? (Hb 10,20).

No fogo eterno

No Inferno existe também a pena do sentido, ou seja, o fogo eterno (Mt 18,7) "que põe aos danados como vítimas dos tormentos... de um fogo ardente" (Lc 16, 23/24). A Geena é a figura mais expressiva que Jesus usou para figurar o inferno. A Geena é um profundo vale sobre um dos lados de Jerusalém. Nessa se jogavam toda as sujeiras da cidade e eram queimadas em um fogo perene. O Inferno é um depósito de lixo do Céu e da Terra: nesse se recolhem todos os anjos rebeldes e todos os homens imundos, perversos e corrompidos, mortos em pecado mortal. Todos queimarão com "fogo inextinguível" (Mc 9,44), odiosos a Deus pela eternidade. Na verdade, é "coisa tremenda cair nas mãos de Deus". (Hb 10,31). Mas não se poderá talvez dizer que seja proporcional a pena eterna para as culpas do homem? Não, porque como a recompensa está ao mérito, assim a pena está à culpa (Santo Tomás de Aquino). Às boas ações corresponde o Paraíso eterno; às más ações (pecados mortais) correspondem o Inferno eterno. O rico homem que durante a vida tinha pensado somente nos "suntuosos banquetes", nos quais pensava só em se divertir, e o pobre Lázaro, que tinha suportado em paz as próprias desventuras, deixando que até os cachorros lhe "lambêssem as feridas", nos fazem compreender muito bem a diversa sorte eterna que tocará aos homens maus e bons (Lc 16,19-31).

Muitos se perdem

Em Fátima, a Imaculada mostrou o Inferno aos 3 pastores. E Lúcia descreveu aquela visão como melhor podia com estas palavras: "Vimos como em um mar de fogo, emergidos os demônios e as almas, quase como carvões transparentes e pretos, queimados em forma humana, flutuando no incêncio alçado de fumos e cadentes de cada lado, como faísca de grandes incêndios. Sem peso, nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que aterrorizavam e faziam desmaiar de medo...". "Viram - disse Nossa Senhora - o Inferno onde vão as almas dos pobres pecadores? Para os salvar, o Senhor quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado". Reflitamos seriamente sobre estas palavras de Nossa Senhora e liguemo-nos fortemente ao seu Coração Imaculado e tenhamos bem radicados em nós o empenho de viver sempre na graça de Deus, prontos em tudo sofrer para não cometer pecado mortal: "Não temais os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma. Temais, pois, aquele que pode fazer perder a alma e o corpo na Geena." (Mt 10,28). Se os homens pensassem seriamente nestas plavras de Jesus, quem seria condenado?

Como morre um danado?

São Clemente Hofbauer, apóstolo de Viena, foi visitar um moribundo não crente e foi recebido com insultos: "Vai para o diabo, frade! Vais embora!". "Antes quero ver como morre um danado!" disse o frade. Com estas palavras o moribundo pôs-se a pensar e ficou mudo. São Clemente invoca Maria com ardor. Logo depois o moribundo chora e exclama: "Padre, perdoai-me. Aproximai-vos!". Confessa-se em lágrimas e morre invocando Maria, refúgio dos pecadores. "A misericórdia de Maria salva um grande número de infelizes que, segundo as leis da divina Justiça, iriam ser danados". Cofiemos n'Ela, então, com toda a confiança.

Votos

Repetir amiúde: "Minha mãe, confiança minha";
oferecer o dia pelos pecadores moribundos;
ler e meditar a parábola do rico Epulão e do pobre Lázaro (Lc 16, 19-31).

sábado, 5 de maio de 2012

Maio: Um mês com Maria - 5º Dia


O Juízo de Deus.

A meditação sobre o Juízo de Deus é tão saudável ao homem que Santo Agostinho dizia: "Se os cristãos não ouvissem outra pregação além daquela sobre o juízo de Deus, só esta bastaria para fazer observar o Evangelho e viver santamente na Graça!". E na verdade não mudariam talvez tantos nossos comportamentos se mtas vezes tivéssemos a coragem de nos perguntar: Como gostaria de achar-me agora sob o Juízo de Deus? Tal recomendação nos vem feita também por São Tiago: "Falai e procedei como quem deve ser julgado!" (Tg 2,12). O Juízo de Deus será um verdadeiro juízo e glorificará sem fim a Justiça de Deus que "submeterá a juízo cada obra, por quanto escondida, boa ou má que seja". (Tg 12,14). Ao juízo de Deus nós aparecemos o que fomos, sem máscaras nem fingimentos, com todas as nossa culpas mais secretas e vergonhosas. Nada poderá fugir aos olhos de Deus, nem uma fragilidade, nem um palavra ocios. (Mt 12,36).


Que confusão... 
Se não morrermos santos, será grande a confusão que provaremos. S. Jerônimo escreveu que lhe tremia o corpo inteiro somente em pensar no Juízo de Deus e os seus castigos. "No fim do ano escolástico - escreveu o servo de Deus, Dolindo Ruotolo - cada aluno se apresenta aos examinadores p/ ser interrogado. O mesmo acontece com a alma: aquela pecadora e obstinada no mal é condenada ao fogo do inferno; a alma medíocre vai ao Purgatório para reparar e descontar as suas penas; a alma toda pura é acolhida na glória e na felicidade do Paraíso". Lembremos sempre das palavras de Jesus: "Vigiai e rezar em cada tempo a fim de que sejais dignos de fugir a futuros castigos e possais aparecer sem temor junto ao Filho do Homem"(Lc 21,36). Ao juízo de Deus veremos o verdeiro balanço (Lc 16,2) inapelável e justíssimo. E Santo Agostinho nos diz que o demônio será o pior acusador da nossa alma (cf Apc 12,10). "Senhor, dirá o demônio - esta alma não observou os mandamentos da Tua lei, mas da minha. Dá-a a mim porque me pertence". 
Ousaremos apenas sussurrar: "Senhor, ao seguir o demônio parecia mais fácil; a Tua lei é muito dura...". "Não é verdade! não é verdade! - dirá o acusador - Eu te fazia trabalhar até no Domingo, enquanto a Lei de Deus te precedia descanso. E tu trabalhavas para mim. Eu te fazia beber vinho até quando não tinhas mis sede e te fazia mal com a bebedeira. Coloquei-te sob as bestas. Te ordenava dançar e tu cansado de seis dias de trabalho te esgotavas em dançar para me fazer rir. E te sugeria um encontro equívoco e tu deixava os teus, embora fizesse frio, chovesse ou nevasse. Eu te dizia gastar nos vícios e o resultado de todos os teus suores da semana e tu que tinha medo de dar um tostão de esmola, consumias nos bares com os amigos todo o sustento da tua casa. Não era leve o meu fardo! Mas tu o preferistes àquele de Deus."


A quem recorreremos? 


O juízo de Deus somos nós mesmos a prepará-lo com a nossa vida. Qual será a nossa vida, tal será o juízo de Deus. "Cada um será réu segundo a própria obra", diz-nos Jesus (Mt 16,17). Mas se a vossa obra não tiver sido conforme o Evangelho, ou seja, tudo por amor a Jesus e aos irmãos (Mt 25,31-46) a quem poderemos recorrer naquele átimo que será fulminante como um 'piscar de olhos'? (I Cor 15,52). É antes, é agora que devemos providenciar em obter um juízo de salvação! (II Cor 6,2) é o tempo da misericórdia! Desde quando estamos em vida podemos obter a abundância de misericórdia recorrendo a Nossa Senhora. "Mãe de Misericórdia", como a invocamos na Salve-Rainha. E será uma Graça especial se nos extremos tormentos de vida podermos a Ela recorrer, indo com confiança ao trono da Graça para obter misericórdia! (Hb 4,16). São Maximiliano Maria Kolbe dizia que até se tivéssemos já um pé no inferno, se invocamos Imaculada, Ela nos obterá a salvação eterna. São Gabriel de Nossa Senhora das Dores, no leito de morte, na sua agonia, sofreu assaltos do demônio. Se via agitado. O confessor o abençoou, e pensou que quisesse mudar de posição. "Não - murmurou o Santo - procuro a imagem de Nossa Senhora! A Imagem estava sobre o leito, mas entre as pregas da colcha. Logo que a viu, ele ficou sereno, olhou-a com amor e disse: "Mãzinha, mais depressa!" Também São Camilo Léllis no leito de morte foi assaltado pela lembrança de culpas cometidas na sua desordenada juventude. O Santo mandou trazer um quadro da Cruz com Nossa Senhora das Dores aos pés e com ardente paixão rogou à Virgem das Dores de clamar por ele. Morreu contemplando serenamente a Mãe das misericórdias. Que nos seja permitido apresentar-nos ao juízo de Deus, contemplando a Mãe Celeste.

Votos 

Perguntar-nos sempre: "Como gostaria e achar-me diante o juízo de Deus?";
rogar a Nossa Senhora que nos prepare ao Juízo de Deus;
meditar Mateus 25,31-46 e fazer atos de caridade.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Maio: Um mês com Maria - 4º Dia


A MORTE

A morte é a porta da vida eterna. Através dela se entra no além. É uma passagem obrigatória. “É destino do homem morrer” (Hb 9,27). Um destino que leva a marca da culpa original: “A morte é o salário do pecado” (1 Cor 15,21). Por isso é terrível morrer. E a morte nos demonstra cruamente quanto é verdadeira a palavra de Deus: “Lembra-te, homem, que és pó, e ao pó voltaras” (Gn 3,19).
Com a redenção operada por Jesus, porém, a morte na graça de Deus é o sinal da salvação eterna; para os Santos, a morte é a entrada no Paraíso. São Paulo parece gritar de alegria quando escreve: “Para mim a morte é um lucro” (Fl. 1,21). Por isto São Tomas Morus, condenado à morte pelos heréticos, no dia do suplicio quis vestir sua roupa mais linda e preciosa. E São Carlos Borromeu se fez pintar um quadro sobre a morte, que figurava um moribundo cheio de serenidade; perto dele estava um anjo lindo com uma chave de ouro na mão, pronto para abrir a porta do Paraíso. Que graça é morrer Santo! “Preciosa para Deus é amorte dos seus Santos” (Sl 115,15).

Quando? Como? Onde?

A morte é a coisa mais certa, mas ignoramos quando virá, como virá, onde virá. Se pode morrer no seio materno, ou com cem anos de idade; se pode morrer na própria cama ou no meio da rua. Ao deitar-nos, não sabemos se veremos o sol; ao nos levantar, não sabemos se chegaremos a noite. Estamos certos só disso:“Não sabemos nem o dia nem a hora” (MT 25,13); a morte “chegará como um ladrão noturno” (1 Ts 5,2), ou seja, escondida e de surpresa. Por isso Jesus nos avisa com energia: “Estejais prontos! Porque na hora que não creis o filho do homem chegará” (Lc 12,40).
Quão grande deve ser a nossa loucura, senão queremos pensar na morte, porque, seguindo o que se diz, nos entristece a vida! E não refletimos que em tal modo nos parecemos como avestruzes, que põem a cabeça dentro da areia para não ver o perigo que as destrói.
Que tragédia será uma má morte; só entenderemos na eternidade. O demônio bem sabe quanto é saudável o pensamento da morte. Por isso, o faz parecer uma coisa horrível, tendo-nos despreocupados e felizes entre vícios e pecados.
Ao Papa Pio XI, um dia se apresentou uma senhora pedindo uma lembrança pessoal. O Papa estava na rua; observou a senhora vestida de luxo mundano; se inclinou ao chão, recolheu um pouco de pó e fez na testa da senhora uma cruz, dizendo: “lembra-te que és pó e ao pó voltarás”. Não lhe poderia dar uma lembrança mais pessoal!

Está sempre prontos

Somos capazes de preencher os nossos dias de trabalho, de divertimentos, de sexo, de política, de esportes, de fumo, de televisão e de internet. Vivemos amarrados e desorientados pelas tensões do lucro, do prazer, do sucesso. E nem nós preocupamos que no entanto estamos indo “lá onde todos são encaminhados” para a eternidade. E as realidades terrenas, os afazeres temporais, a saúde do corpo, as coisas materiais nos escravizam, nos adormecem em uma letargia espiritual que pode ser fatal. Jesus nos recomendou muitas vezes no evangelho de nos fazermos achar acordados espiritualmente e operosos para o reino dos céus: “bem aventurados aqueles servos que o patrão, em sua chegada, encontra acordados!” (Lc 12,37).
Estar “acordados”, estar “prontos”, significa sobretudo viver sempre na graça de Deus, evitando o pecado mortal ou pedindo imediatamente perdão e confessando-se o mais cedo possível, se houver a desgraça de cair. São João Bosco dizia aos seus jovens que acordassem até mesmo às duas da madrugada para se confessarem, se tivessem caído em pecado mortal. Deve ser esta a primeira e absoluta preocupação de todo o cristão: em qualquer momento a morte com a sua imperdoável “foice” (Ap 14,14), me deve achar na graça de Deus.
A graça de Deus é como o óleo das lâmpadas na parábola evangélica das dez virgens. As cinco virgens prudentes que tinham o óleo nas lâmpadas, entraram com o esposo às bodas; as cinco virgens distraídas, foram excluídas das bodas porque tinham as lâmpadas sem óleo. “Não vos conheço” foi a terrível palavra que o Senhor lhe disse (MT 25,  1,13). Pensemos, ao contrário, na morte de São Bento. Quando sentiu o momento da passagem à outra vida, o santo patriarca quis ser amparado em pé por dois monges, estava assim, com os braços levantados, no ato de “de ir ao encontro do esposo” (MT 25,6).

Na hora da nossa morte

De Nossa Senhora obteremos a graça de uma boa morte. Esta graça é tão importante que a Igreja nos ensina a pedí-la a cada Ave Maria: “rogai por nós, agora e na hora da nossa morte”. Feliz a morte de quem amou Maria, de quem invocou Maria! Santa Maria Madalena Sofia Barat dizia que “a morte de um verdadeiro devoto de Maria é um pulo de um menino entre os braços da mãe”.  E São Boaventura escreveu que morrer “com a pura invocação da Virgem, é sinal de salvação”.
Quando São João Bosco teve a aparição de São Domingos Sávio poucos dias depois que este havia morrido, quis fazer-lhe esta pergunta:
- Diga-me Domingos, qual foi a coisa mais consoladora para ti, na hora da morte?
- Dom Bosco, advinhe?
- Talvez o pensamento de ter bem guardado o lírio da pureza?
- Não.
- Talvez o pensamento das penitências feitas durante a vida?
- Nem isso.
- Então terá sido a consciência tranqüila... livre de todo o pecado?
- Este pensamento me fez bem;  mas a coisa mais consoladora pra mim na hora da morte foi pensar que tinha sido devoto de Nossa Senhora! Diga-o aos seus jovens e recomende com insistência a devoção a Nossa Senhora.

Votos:

- Oferecer o dia pelos moribundos;
- Viver como se fosse o seu ultimo dia de vida;
- Ler e meditar a parábola das 10 virgens (MT 25,113)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Maio: Um mês com Maria - 3º Dia

O Tempo para salvar-me! 

Na Terra Deus me dá o tempo para me salvar e me santificar. "Ele nos quer todos salvos". (I Tim 2,4), quer a nossa "Santificação" (I Ts 4,3) e nos dá a possibilidade através do arco de tempo estabelecido para a nossa vida terrena. O arco do tempo pode ser mais ou menos longo. São Domingos Sávio se santificou vivendo somente 15 anos. Santo Afonso Maria de Ligório, vivendo 91 anos. A medida do tempo está nas mãos de Deus, "patrão da vida e da morte" (Sb 16,13). Nós devemos só utilizar o nosso tempo segundo a finalidade para a qual Deus nos criou, ou seja: "para conhecê-Lo, amá-Lo e servi-Lo nesta vida e depois adorá-Lo no Paraíso", segundo o catecismo de S. Pio X. Isto significa: "Operar o bem enquanto tivermos tempo". Como recomendava S. Paulo (Gl 6,10). Tudo me deve servir pra conseguir o gozo eterno do Paraíso que consiste na visão beatífica de Deus. Se assim não for, se trabalha inutilmente, perdendo incalculáveis mértios e energias.

A um velho eremita, um dia, perguntaram a idade. "Tenho 50 anos", respondeu."Não é possível! - respondeu o visitante - Tens, certamente, mais de 70.". "É verdade - respondeu - A minha idade seria 75, mas os primeiros 25 eu não conto, pois passei longe de Deus".



A que me serve?

São Bernardo dizia: "Todo o tempo que não usamos para Deus é perdido". Por isso, São Luiz Gonzaga, como tantos outros santos, se propôs de perguntar-se antes de cada ação: "A que me serve para a eternidade?" E refletindo profundamente, compreendeu bem como valesse a pena renunciar a posse de um principado e a um futuro de glórias terrenas para se consagrar inteiramente a Jesus e a aquisição da Glória Eterna, consumindo-se de amor por Deus e pelo próximo. Santo Afonso Maria de Ligório obrigou-se com um voto especial: o de não perder um átimo de tempo! E o observava com um heroísmo que comovia.

Quando escrevia por horas e horas aquelas páginas de doutrina e de piedade que iluminavam tantas almas, se às vezes lhe doía a cabeça, apertava com uma mão uma pedra sobre a testa e com a outra continuava a escrever. Se quiséssemos examinar o uso do nosso tempo e a finalidade das nossas ações, não é verdade que deveríamos pôr as mãos na cabeça? Quanto tempo perdido! Talvez estejamos prontos para dizer de não ter tempo nem para qualquer minuto de manhã e a noite, ou para dizer um Terço (15 minutos), ou para fazer uma boa obra... E depois não nos damos conta de perder a cada dia horas de tempo livre vendo televisão ou indo ao cinema, aos bares ou à rua, ou indo ao campo de futebol entre cigarros, canções e conversas fiadas. Este é o uso do tempo livre de muitos cristãos!

Colho o que semeio

O que dizer da finalidade sobrenatural que deveriam ter as nossas ações? Agimos somente com finalidade de lucro. Se faz tudo por interesse. Se trabalha só pelo dinheiro. E que prontidão súbita quando devemos nos queixar por inconvenientes incômodos ou perdas! É tudo calculado. Tudo me deve dar o máximo de rendimento e gozo com o mínimo esforço. Talvez no nosso comportamento não exista nem um sopro de Amor a Deus, um aceno de intenção sobrenatural, um odor de elevação à finalidade mais alta pela qual um cristão deveria agir. "Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo pela Glória de Deus". (I Cor 10,31). Como faremos juntos de Deus? Se é verdade que um dia prestaremos conta até de cada palavra ociosa (Mt 12,36) tanto mais prestaremos conta de cada minuto perdido. Em um minuto de tempo se podem fazer diversos atos de Amor a Deus. Assim faziam Santa Bertila Boscardin que passava pelos quartos do Hospital recitando amorosamente o Rosário. Nós, ao invés, passamos de ação em ação, de lugar em lugar só atentos ao nosso interesse. Mas não nos iludamos: "aquilo que o homem semear, aquilo colherá!" (Gl 6,8). Se enchermos o nosso tempo de ações feitas para Deus, colheremos um dia a visão serenidade Deus. Se ao contrário, colheremos os sofrimentos do Purgatório, ou, não queira Deus, do Inferno Eterno!

Um belo exemplo 

Olhemos um modelo de Santo nosso contemporâneo: o Beato José Moscatti, grande médico napolitano. Não viveu muito, mas encheu seu tempo de coisas nobres e santas. Todos os dias ele começava sua jornada às 5 horas da manhã, com duas horas de oração recolhida e intensa. Fazia sua meditação, participava da Santa Missa, recebia a Santa Comunhão e fazia um longo agradecimento. Sem estas 2 horas e sobretudo sem a Santa Comunhão, ele dizia não ter coragem de entrar na sala médica para visitar os doentes. Logo depois das 2 horas de oração, entrava nos becos de qualquer bairro da velha Nápolis, descia a qualquer gueto ou subia em qualquer porão a visitar gratuitamente doentes em condições penosas e miseráveis. Continuava a sua manhã com a escolha e com as visitas médicas no Hospital. Antes de uma diagnose, nos momentos de dificuldade, punha a mão no bolso, apertava o Rosário por um momento, rezava a Nossa Senhora. Durante as visitas não era menos preocupado de recomendar aos enfermos a cura da alma, dando conselhos e avisos concretos, como aqueles de confessar-se e comungar. Ao meio dia, ao soar o sino do Ângelus, embora estando em sala médica, recitava sem falta a Oração, convidando os presentes a rezarem com ele. De tarde continuava as visitas médicas em casa até o pôr-do-sol. Fechava seu dia com a visita ao Santíssimo Sacramento, com a recitação do Santo Rosário e as orações noturnas. Morreu durante as suas visitas médicas, amando os corpos e as almas dos enfermos. Eis um verdadeiro cristão que "operava o bem enquanto tinha tempo". (Gl ,10).

Votos

Começar e terminar o dia com as orações de manhã e a noite;
mortificar os olhos e a língua para não perder tempo em curiosidades e conversas;
rezar ao invés de falar futilidades e/ou inutilmente.